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			<title>IETV - Artigos</title>
			<link>http://www.ietv.org.br/</link>
			<description>IETV - Artigos</description>
			<copyright>2012 IETV - Todos os direitos reservados</copyright>
			<language>pt-br</language>
			<item>
					<title>Uma Proposta para Melhorar a TV</title>
					<description>&lt;p&gt;
	O cidad&amp;atilde;o se angustia: por que &amp;eacute; que a qualidade da televis&amp;atilde;o descambou desse jeito? Eu respondo: porque o dono n&amp;atilde;o toma conta. E quem &amp;eacute; o dono? O dono &amp;eacute; ele mesmo, o cidad&amp;atilde;o. Ele s&amp;oacute; n&amp;atilde;o sabe que &amp;eacute; o dono. A televis&amp;atilde;o comercial, que n&amp;atilde;o quer saber de prestar contas a ningu&amp;eacute;m, faz quest&amp;atilde;o de nunca lembr&amp;aacute;-lo disso: de que ele, cidad&amp;atilde;o, &amp;eacute; o dono do canal.&lt;br /&gt;
	Como o dono n&amp;atilde;o toma conta, a gente vive uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o bizarra. O Brasil acha reprov&amp;aacute;vel a televis&amp;atilde;o que o Brasil adora ver. Os programas que t&amp;ecirc;m os melhores &amp;iacute;ndices de audi&amp;ecirc;ncia s&amp;atilde;o tamb&amp;eacute;m os que mais geram protestos. Com uma face, a plat&amp;eacute;ia bate palmas para as atra&amp;ccedil;&amp;otilde;es mais apelativas e, com a outra face, protesta. A maioria assiste aos reality shows e ao sensacionalismo policial. Ao mesmo tempo, a maioria concorda que esse tipo de programa n&amp;atilde;o &amp;eacute; exatamente o que mais contribui para a boa forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o das crian&amp;ccedil;as. O que h&amp;aacute; de errado? O p&amp;uacute;blico adora ver justo aquilo que acha conden&amp;aacute;vel? Ou acha conden&amp;aacute;vel o que mais gosta de ver?&lt;br /&gt;
	O quadro &amp;eacute; bizarro, mas n&amp;atilde;o &amp;eacute; inexplic&amp;aacute;vel. Ao contr&amp;aacute;rio, a explica&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; elementar. N&amp;atilde;o h&amp;aacute; nada de errado em gostar de arte er&amp;oacute;tica ou de filmes violentos. Errado &amp;eacute; transformar predile&amp;ccedil;&amp;otilde;es &amp;iacute;ntimas em regra de conduta p&amp;uacute;blica. O fato de algu&amp;eacute;m se deliciar com as obras do Marqu&amp;ecirc;s de Sade, o que &amp;eacute; uma forma leg&amp;iacute;tima de deliciar-se, desde que na esfera &amp;iacute;ntima, n&amp;atilde;o significa que esse mesmo algu&amp;eacute;m esteja autorizando encena&amp;ccedil;&amp;otilde;es do Marqu&amp;ecirc;s de Sade &amp;agrave;s seis horas da tarde em uma rede de canal aberto. O fato de algu&amp;eacute;m gostar de filmes violentos n&amp;atilde;o significa que esse mesmo algu&amp;eacute;m pretenda impor seus filmes prediletos ao p&amp;uacute;blico infantil. Dito assim, parece &amp;oacute;bvio, n&amp;atilde;o? Pois a nossa televis&amp;atilde;o comercial jogou esse &amp;oacute;bvio no lixo.&lt;br /&gt;
	As emissoras de TV dizem que est&amp;atilde;o autorizadas a exibir o que exibem porque o p&amp;uacute;blico aprova. Aprova como? Segundo elas, pelos &amp;iacute;ndices do ibope. O argumento &amp;eacute; uma fal&amp;aacute;cia ululante. Os &amp;iacute;ndices do ibope, invocados como credenciais absolutas, transformam as pequenas taras da esfera &amp;iacute;ntima - aquelas obsess&amp;otilde;es secretas que todos temos, mas que n&amp;atilde;o confessamos ao vizinho de jeito nenhum - em regras de conduta p&amp;uacute;blica. A&amp;iacute; est&amp;aacute; o engano - e o engodo. As emissoras de fato obedecem ao consumidor (oferecem o que ele aceita ver, digamos assim), mas a condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de consumidor &amp;eacute; apenas uma das duas faces de cada um de n&amp;oacute;s. Quanto &amp;agrave; outra face, a de cidad&amp;atilde;o, elas ignoram. Elas escondem. Elas chamam o telespectador a se manifestar como cliente: voc&amp;ecirc; quer consumir este programinha de nudismo apimentado? Nunca, por&amp;eacute;m, consultam o cidad&amp;atilde;o: voc&amp;ecirc; acha que esse programa deveria ser vendido dessa forma, nesse hor&amp;aacute;rio?&lt;br /&gt;
	A televis&amp;atilde;o comercial deve corresponder aos desejos &amp;iacute;ntimos dos clientes-telespectadores, por certo, mas deveria faz&amp;ecirc;-lo dentro dos par&amp;acirc;metros que pare&amp;ccedil;am razo&amp;aacute;veis ao cidad&amp;atilde;o. Deveria, mas n&amp;atilde;o faz.&lt;br /&gt;
	Ela dialoga com os desejos da clientela (porque vive de explor&amp;aacute;-los) mas n&amp;atilde;o dialoga com a raz&amp;atilde;o do p&amp;uacute;blico. N&amp;atilde;o quer repartir o poder. Logo, se n&amp;atilde;o reparte, usurpa o poder - porque, no fim da linha, o poder primeiro est&amp;aacute; com o cidad&amp;atilde;o. Embora nunca seja lembrado disso, ele, cidad&amp;atilde;o, &amp;eacute; o dono das freq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncias pelas quais s&amp;atilde;o transmitidos os sinais de televis&amp;atilde;o aberta. &amp;Eacute; em nome dele que o poder p&amp;uacute;blico outorga as concess&amp;otilde;es. Em nome dele e, infelizmente, em surdina. As concess&amp;otilde;es s&amp;atilde;o resolvidas entre quatro paredes - como se fossem, elas mesmas, uma esquisitice da intimidade. A&amp;iacute; &amp;eacute; que est&amp;aacute; o erro.&lt;br /&gt;
	Eu proponho que, a partir de agora, esse debate aconte&amp;ccedil;a em p&amp;uacute;blico. Mais exatamente, dentro da pr&amp;oacute;pria TV. Cada canal de televis&amp;atilde;o deveria estar obrigado a apresentar programas peri&amp;oacute;dicos (anuais, no m&amp;iacute;nimo) que fariam a avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica do cumprimento ou n&amp;atilde;o de suas obriga&amp;ccedil;&amp;otilde;es como concession&amp;aacute;rio. Por esses programas, organizados e mediados pelos setores competentes do poder p&amp;uacute;blico, o cidad&amp;atilde;o seria informado sobre os deveres da concession&amp;aacute;ria (hor&amp;aacute;rios para programas educativos, respeito aos valores &amp;eacute;ticos e assim por diante) e sobre os direitos do p&amp;uacute;blico (o direito &amp;agrave; informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, por exemplo). Ao final de cada programa, o telespectador seria chamado a opinar. Poder&amp;iacute;amos ter consultas do tipo: voc&amp;ecirc; &amp;eacute; a favor da renova&amp;ccedil;&amp;atilde;o dessa concess&amp;atilde;o? Tudo isso aconteceria com o apoio dos recursos de interatividade que hoje est&amp;atilde;o a&amp;iacute;, como vota&amp;ccedil;&amp;otilde;es pelo telefone e pela internet. Seria a interatividade a servi&amp;ccedil;o da democracia e n&amp;atilde;o apenas do consumo. As consultas ao p&amp;uacute;blico deveriam ter um car&amp;aacute;ter, como o nome j&amp;aacute; diz, apenas consultivo. J&amp;aacute; seria &amp;oacute;timo: a qualidade da programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o mudaria quase que imediatamente, pois as emissoras se veriam obrigadas a responder pelo que fazem.&lt;br /&gt;
	Seria uma bela reviravolta num pa&amp;iacute;s em que a televis&amp;atilde;o n&amp;atilde;o gosta de prestar contas a ningu&amp;eacute;m que n&amp;atilde;o seja o dinheiro e o ibope. Em mat&amp;eacute;ria de poder, a televis&amp;atilde;o monologa. Monologando, sente-se autorizada a baixar o n&amp;iacute;vel sem temer nenhum tipo de conseq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia democr&amp;aacute;tica. Isso precisa mudar - n&amp;atilde;o para salvar a moralidade e os bons costumes (esses argumentos de fundo moral s&amp;atilde;o quase sempre ris&amp;iacute;veis), mas para salvar a credibilidade da televis&amp;atilde;o como ve&amp;iacute;culo necess&amp;aacute;rio para a integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o nacional. Acabar com a justa insatisfa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da cidadania em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; TV n&amp;atilde;o requer censura nem moralismo. Requer apenas que se d&amp;ecirc; voz ao cidad&amp;atilde;o. Requer que ele fale, n&amp;atilde;o mais como fregu&amp;ecirc;s de futilidades, mas como fonte do poder e como dono que &amp;eacute;.&lt;br /&gt;
	A id&amp;eacute;ia &amp;eacute; simples e poss&amp;iacute;vel. Ser&amp;aacute; que algu&amp;eacute;m &amp;eacute; contra?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	(Eug&amp;ecirc;nio Bucci &amp;eacute; jornalista e professor universit&amp;aacute;rio. Transcrito do Jornal do Brasil, com a autoriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do autor.)&lt;br /&gt;
	Fonte: Jornal do Brasil&lt;/p&gt;</description>
					<link>http://www.ietv.org.br/blog/post/uma_proposta_para_melhorar_a_tv//</link>
					<pubDate>Wed, 23 Mar 2011 19:28:07 -0300</pubDate>
				</item><item>
					<title>Universidades Odeiam a Televisão</title>
					<description>&lt;p&gt;
	Em recente semin&amp;aacute;rio sobre telejornalismo realizado em S&amp;atilde;o Paulo, discutiu-se um tema pol&amp;ecirc;mico que interessa aos futuros jornalistas: as TVs universit&amp;aacute;rias como porta de entrada no mercado para os estudantes de jornalismo. N&amp;atilde;o resisti &amp;agrave; ingenuidade da proposta e ao desconhecimento em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave;s TVs universit&amp;aacute;rias no Brasil e comentei, em tom de provoca&amp;ccedil;&amp;atilde;o: &amp;quot;S&amp;oacute; se for uma porta fechada!&amp;quot;&lt;br /&gt;
	As TVs universit&amp;aacute;rias brasileiras, que deveriam ser janelas para o mundo, s&amp;atilde;o ignoradas pelo p&amp;uacute;blico e t&amp;ecirc;m uma programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o muito ruim. Reclamam da falta de apoio e de recursos. Mas j&amp;aacute; est&amp;atilde;o no ar h&amp;aacute; seis anos e garantem bons empregos para poucos. E se voc&amp;ecirc;s ainda perceberam, elas n&amp;atilde;o produzem telejornais independentes, n&amp;atilde;o transmitem programas ao vivo e muito menos com estudantes. Tudo em nome da paz, tranq&amp;uuml;ilidade e seguran&amp;ccedil;a do meio universit&amp;aacute;rio brasileiro.&lt;br /&gt;
	E os estudantes? Apesar de terem lutado tanto pelas TVs universit&amp;aacute;rias e pela democratiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o meio, hoje eles n&amp;atilde;o passam de &amp;quot;figurantes&amp;quot;. Podem participar, aplaudir, mas n&amp;atilde;o podem reclamar ou contestar o modelo. TV universit&amp;aacute;ria &amp;eacute; coisa s&amp;eacute;ria e deve ficar sob o controle das reitorias. Nas TVs universit&amp;aacute;rias brasileiras n&amp;atilde;o pega bem criticar nada, muito menos... as universidades. Essas emissoras tamb&amp;eacute;m ignoraram as elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es brasileiras em nome da paz, da tranq&amp;uuml;lidade e da seguran&amp;ccedil;a de uma omiss&amp;atilde;o muito lucrativa. O &amp;uacute;nico jornalismo que conhecem &amp;eacute; o jornalismo chapa-branca, aquele que costuma n&amp;atilde;o dizer nada e elogiar tudo.&lt;br /&gt;
	No mesmo clima de &amp;quot;indigna&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;quot; aventei uma hip&amp;oacute;tese ainda mais ousada: as universidades brasileiras odeiam a TV! Ignorada durante muitos anos pelas pesquisas, s&amp;oacute; recentemente a televis&amp;atilde;o tornou-se alvo do olhar de alguns poucos acad&amp;ecirc;micos. Mesmo assim, boa parte das pesquisas ainda &amp;eacute; pouco cient&amp;iacute;fica, preconceituosa e ingenuamente ideol&amp;oacute;gica. Ao contr&amp;aacute;rio do cinema, falar mal da TV &amp;eacute; muito chique no meio universit&amp;aacute;rio. Mais acostumadas a lidar com a cultura erudita, nossas institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es p&amp;uacute;blicas - as &amp;uacute;nicas que ainda arriscam uma pesquisa acad&amp;ecirc;mica - desprezam o meio televisivo. Afinal, a TV &amp;eacute; uma express&amp;atilde;o de cultura popular voltada para o mal. Essas pesquisas tendem a sedimentar preconceitos ao privilegiarem tantas opini&amp;otilde;es, teorias inapropriadas ou meros &amp;quot;achismos&amp;quot; sobre o meio.&lt;br /&gt;
	Em sua grande maioria, os acad&amp;ecirc;micos que ainda se dedicam &amp;agrave; TV est&amp;atilde;o distanciados da verdadeira pr&amp;aacute;tica profissional. Muitas dessas pesquisas refletem visitas apressadas &amp;agrave;s reda&amp;ccedil;&amp;otilde;es de TV ou experi&amp;ecirc;ncias profissionais de um passado long&amp;iacute;nquo. Ao contr&amp;aacute;rio das universidades, a TV &amp;eacute; din&amp;acirc;mica e muda o tempo todo. Infelizmente nem sempre para melhor.&lt;br /&gt;
	Ou seja: n&amp;atilde;o podem existir dois segmentos t&amp;atilde;o diferenciados e com tantos contrastes como a TV e a Universidade. A superficialidade do conte&amp;uacute;do televisivo produzido sempre com tanta pressa e voltado para grandes audi&amp;ecirc;ncias se op&amp;otilde;e diretamente &amp;agrave; elitiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, ao tempo e aos objetivos acad&amp;ecirc;micos de nossas universidades.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Cara e perigosa&lt;br /&gt;
	Em se tratando das TVs universit&amp;aacute;rias, o que deveria ter sido um casamento promissor se tornou uma grande decep&amp;ccedil;&amp;atilde;o com resultados med&amp;iacute;ocres. Surpreendidas e sem saber muito bem como e o que fazer, as reitorias das universidades brasileiras parecem ter recebido um verdadeiro &amp;quot;presente de grego&amp;quot;. Montar est&amp;uacute;dios com equipamentos inapropriados mas que impressionam quem n&amp;atilde;o entende muito de TV tem sido a regra nas TVs universit&amp;aacute;rias brasileiras. Tamb&amp;eacute;m se contratam profissionais &amp;quot;dispon&amp;iacute;veis&amp;quot; no mercado que se tornam professores-fantasmas mas que t&amp;ecirc;m a obriga&amp;ccedil;&amp;atilde;o de fazer uma televis&amp;atilde;o que n&amp;atilde;o incomode muito.&lt;br /&gt;
	A solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o copia de forma tosca o modelo estabelecido e n&amp;atilde;o cria nada. Criar significa a possibilidade de errar. Nas TVs universit&amp;aacute;rias brasileiras errar n&amp;atilde;o significa perder a audi&amp;ecirc;ncia - ningu&amp;eacute;m assiste mesmo - mas pode significar perder um bom emprego em tempos de crise no mercado.&lt;br /&gt;
	Assim como tantas outras, a id&amp;eacute;ia original que criou as TVs universit&amp;aacute;rias no Brasil era muito boa. A Lei n&amp;ordm; 8.977, de 6 de janeiro de 1995 (Lei de TV a cabo), determina que as operadoras de TV a cabo tornem dispon&amp;iacute;veis alguns canais b&amp;aacute;sicos de utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o gratuita. Mas, ao mesmo tempo, a lei engessa as possibilidades de as universidades obterem recursos via publicidade. Al&amp;eacute;m disso, uma programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o ruim n&amp;atilde;o garante a audi&amp;ecirc;ncia. O circulo vicioso est&amp;aacute; formado. Para completar a trag&amp;eacute;dia, as TVs universit&amp;aacute;rias brasileiras s&amp;atilde;o prisioneiras de um sistema de TV paga estagnado e falido. TVs p&amp;uacute;blicas que deveriam ser gratuitas custam muito dinheiro aos assinantes das TVs por assinatura. Muito dinheiro para n&amp;atilde;o ver nada de novo. Gente falando sobre si mesmos o tempo todo. Total desprezo pela no&amp;ccedil;&amp;otilde;es mais b&amp;aacute;sicas da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o televisiva. Uma fogueira das vaidades queimando milhares de d&amp;oacute;lares inutilmente todos os dias.&lt;br /&gt;
	TV &amp;eacute; um meio de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o poderoso que seduz a todos. Alguns se contentam em assistir mas muitos s&amp;oacute; querem aparecer. Tem a capacidade de incentivar um consumo irrespons&amp;aacute;vel ao convencer tantos alunos e suas fam&amp;iacute;lias a pagarem muito dinheiro por p&amp;eacute;ssimos cursos universit&amp;aacute;rios. Elege pol&amp;iacute;ticos e reitores, mas tamb&amp;eacute;m garante privil&amp;eacute;gios para alguns profissionais. Produzir boa TV n&amp;atilde;o carece de muitos recursos, mas n&amp;atilde;o dispensa jamais a ousadia e a criatividade. Com liberdade e participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o efetiva, de alunos e de professores, pode ser um instrumento revolucion&amp;aacute;rio. Tem o potencial de mudar um cen&amp;aacute;rio universit&amp;aacute;rio brasileiro repleto de injusti&amp;ccedil;as e privil&amp;eacute;gios.&lt;br /&gt;
	Quanto ao velho jornalismo, costuma sempre tratar de alguma coisa que algu&amp;eacute;m deseja esconder. Todo o resto &amp;eacute; publicidade. N&amp;atilde;o &amp;eacute; &amp;agrave; toa que n&amp;atilde;o temos jornalismo em nossas TVs universit&amp;aacute;rias. Nas m&amp;atilde;os de quem sabe e gosta, televis&amp;atilde;o fortalecer a democracia.&lt;/p&gt;</description>
					<link>http://www.ietv.org.br/blog/post/universidades_odeiam_a_televisao//</link>
					<pubDate>Wed, 23 Mar 2011 19:26:23 -0300</pubDate>
				</item><item>
					<title>Violência de Novela é Mais Branda que a Real</title>
					<description>&lt;p&gt;
	O Minist&amp;eacute;rio da Justi&amp;ccedil;a, que acusa &amp;quot;Kubanacan&amp;quot; de excesso de viol&amp;ecirc;ncia, deveria atentar para os programas policiais.&lt;br /&gt;
	O departamento do Minist&amp;eacute;rio da Justi&amp;ccedil;a que cuida da classifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da TV por faixa de hor&amp;aacute;rio est&amp;aacute; incomodado com o excesso de viol&amp;ecirc;ncia na novela Kubanacan. Acha que 7 horas da noite &amp;eacute; muito cedo para o telespectador ver cenas de brigas e sangue cenogr&amp;aacute;fico e, por isso notificou a Globo e pediu uma &amp;quot;readapta&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;quot; da novela.&lt;br /&gt;
	A emissora, claro, vai recorrer, mas essa atitude joga luzes sobre uma quest&amp;atilde;o interessante: quer dizer que crian&amp;ccedil;as e jovens precisam ser protegidos da viol&amp;ecirc;ncia de mentira da novela, mas est&amp;atilde;o liberados para assistir &amp;agrave;s ca&amp;ccedil;adas policiais, tiroteios e o sangue de verdade que aparece diariamente nos programas policiais antes das 7?&lt;br /&gt;
	O ministro M&amp;aacute;rcio Thomaz Bastos admitiu em recente entrevista ao Estado que sua Pasta n&amp;atilde;o tem crit&amp;eacute;rios para decidir o que era ruim ou bom na TV e que prepara uma ampla consulta &amp;agrave; sociedade para estabelecer padr&amp;otilde;es de avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o do conte&amp;uacute;do da programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Ent&amp;atilde;o, &amp;eacute; bem poss&amp;iacute;vel que a provid&amp;ecirc;ncia do minist&amp;eacute;rio em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a Kubanacan tenha sido provocada por alguma manifesta&amp;ccedil;&amp;atilde;o da sociedade civil.&lt;br /&gt;
	A novela de Carlos Lombardi, que comemora um ibope importante na casa dos 40 pontos de m&amp;eacute;dia (na Grande S&amp;atilde;o Paulo), entrou no ranking da baixaria do site www.eticanatv.org.br, da Comiss&amp;atilde;o de Direitos Humanos da C&amp;acirc;mara Federal, por outro motivo. A comiss&amp;atilde;o que promove a campanha Quem Financia a Baixaria &amp;eacute; Contra a Cidadania recebeu 32 reclama&amp;ccedil;&amp;otilde;es de cidad&amp;atilde;os brasileiros sobre cenas de sexo &amp;quot;inadequadas para o hor&amp;aacute;rio&amp;quot;.&lt;br /&gt;
	&amp;Eacute; correto e justo ouvir os apelos do consumidor, mas quando se abre um canal para o p&amp;uacute;blico &amp;eacute; natural que surjam manifesta&amp;ccedil;&amp;otilde;es que refletem preocupa&amp;ccedil;&amp;otilde;es at&amp;eacute; mais realistas do que o rei. O cidad&amp;atilde;o tem o direito de dizer o que quiser a respeito do que o incomoda na TV. A fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o do poder p&amp;uacute;blico &amp;eacute; atend&amp;ecirc;-lo, claro, mas antes de tudo deve olhar a programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o como um todo, n&amp;atilde;o s&amp;oacute; o pedacinho que desagradou algu&amp;eacute;m.&lt;br /&gt;
	No entanto, parece ser mais f&amp;aacute;cil (ou conveniente) pin&amp;ccedil;ar o que foi levantado do que passar a programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o a limpo. Ao se ater ao detalhe, o minist&amp;eacute;rio d&amp;aacute; uma satisfa&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao p&amp;uacute;blico, sem se comprometer com a qualidade da TV que classifica.&lt;br /&gt;
	Aqui entre n&amp;oacute;s, achar que uma novela vai estimular a inf&amp;acirc;ncia e a adolesc&amp;ecirc;ncia a sair arrebentando tudo e socando o pr&amp;oacute;ximo &amp;eacute; desmerecer a intelig&amp;ecirc;ncia do telespectador. As confus&amp;otilde;es em que o protagonista de Kubanacan se mete est&amp;atilde;o mais para desenho animado do que para barb&amp;aacute;rie. Da mesma maneira, as sandices dos personagens Helo&amp;iacute;sa e Marcos, de Mulheres Apaixonadas, est&amp;atilde;o longe de tornar homicidas esposas e maridos ciumentos.&lt;br /&gt;
	Se tiv&amp;eacute;ssemos uma programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o impec&amp;aacute;vel, at&amp;eacute; se poderia chegar ao requinte de fiscalizar a fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o da TV em suas min&amp;uacute;cias para detectar desvios. Como &amp;eacute; consenso que a qualidade da programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o &amp;eacute; defens&amp;aacute;vel por quem tem algum ju&amp;iacute;zo, seria melhor olhar com mais rigor para os programas que realmente exploram a viol&amp;ecirc;ncia para extrair dela o seu sucesso no ibope, como Cidade Alerta, Brasil Urgente, Rep&amp;oacute;rter Cidad&amp;atilde;o, Linha Direta, etc.&lt;br /&gt;
	E deixar as novelas sossegadas, porque o p&amp;uacute;blico brasileiro &amp;eacute; grandinho o suficiente para diferenciar a fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o da realidade.&lt;br /&gt;
	Fonte: O Estado de S.Paulo, 20 Jul 03&lt;br /&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
					<link>http://www.ietv.org.br/blog/post/violencia_de_novela_e_mais_branda_que_a_real//</link>
					<pubDate>Wed, 23 Mar 2011 19:21:03 -0300</pubDate>
				</item><item>
					<title>Televisão, Humor e Cultura Digital</title>
					<description>&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Do blog a Seinfeld - passando pelo stand up&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A internet trouxe o protagonismo ao seu usu&amp;aacute;rio que, em vez de apenas consumir conte&amp;uacute;dos, passou a cri&amp;aacute;-los. Muito dessa cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; baseada em blogs, que inicialmente surgiram como di&amp;aacute;rios em primeira pessoa e fizeram grande sucesso no mundo digital. No teatro, essa tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de narra&amp;ccedil;&amp;atilde;o em primeira pessoa efetiva-se no g&amp;ecirc;nero stand-up comedy. Uma das caracter&amp;iacute;sticas desse tipo de humor &amp;eacute; a utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da primeira pessoa, em confiss&amp;otilde;es particulares, que exploram muito a autodeprecia&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Ao satirizar a si mesmo, o comediante faz com que a plat&amp;eacute;ia ria de situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es pelas quais ela mesma passou. A despretens&amp;atilde;o e o tom naturalista formam um novo tipo de humor, mais cotidiano e menos baseado em caricaturas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Seinfeld (EUA, 1990) foi a s&amp;eacute;rie que primeiro dialogou com tend&amp;ecirc;ncias da cultura digital (ainda antes dela se propagar) revolucionando a forma de fazer com&amp;eacute;dias televisivas e tornando-se o maior sucesso da hist&amp;oacute;ria da televis&amp;atilde;o americana. O programa satiriza a si mesmo e se define como um seriado sobre o nada. Em epis&amp;oacute;dio metaling&amp;uuml;&amp;iacute;stico da quarta temporada a s&amp;eacute;rie mostra como surgiu a id&amp;eacute;ia do programa e como eles tinham por principio evitar &amp;quot;acontecer coisas&amp;quot;, descontruir a a&amp;ccedil;&amp;atilde;o dram&amp;aacute;tica tradicional para, na pr&amp;aacute;tica, introduzir a com&amp;eacute;dia &amp;eacute;pica e de coment&amp;aacute;rios. O ator principal, Jerry Seinfeld &amp;eacute; um comediante de stand-up comedy que propaga interpretar a si mesmo e utiliza de seu nome real, trabalhando na fronteira entre fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o e realidade, outra tend&amp;ecirc;ncia do mundo digital. Ele faz a aproxima&amp;ccedil;&amp;atilde;o do burlesco com situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es absurdas levadas ao extremo e se utiliza tamb&amp;eacute;m do humor f&amp;iacute;sico. Seinfeld faz a fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Grouxo Marx, a com&amp;eacute;dia intelectual baseada em coment&amp;aacute;rio. George faz o g&amp;ecirc;nero de palha&amp;ccedil;o intelectualizado, noiado e que pensa em tudo, sempre atr&amp;aacute;s de mulheres que lembra muito o palha&amp;ccedil;o que Woody Allen interpreta em todos seus filmes. A com&amp;eacute;dia f&amp;iacute;sica de Harpo Marx est&amp;aacute; em Kramer, que trabalha com a autodeprecia&amp;ccedil;&amp;atilde;o em chave de com&amp;eacute;dia f&amp;iacute;sica. Seinfeld &amp;eacute; muito diferente da sitcom cl&amp;aacute;ssica que vinha da tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o da com&amp;eacute;dia amalucada americana, baseada em di&amp;aacute;logos dram&amp;aacute;ticos (no sentido de di&amp;aacute;logos que movem a a&amp;ccedil;&amp;atilde;o dram&amp;aacute;tica). Seinfeld introduz o di&amp;aacute;logo &amp;eacute;pico (t&amp;eacute;cnica do teatro &amp;eacute;pico), baseado no coment&amp;aacute;rio sobre a cena dram&amp;aacute;tica, caracter&amp;iacute;sticas do stand-up. E tamb&amp;eacute;m introduz a vida pessoal e a mistura entre real e fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o, na medida em que o nome do ator protagonista batiza o personagem e a pr&amp;oacute;pria s&amp;eacute;rie. Isso constr&amp;oacute;i um permanente jogo de identidade com o p&amp;uacute;blico.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Carnaval, multiculturalismo, orkut e jogos de identidade&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A conviv&amp;ecirc;ncia cotidiana com o outro, com a diversidade, exige que as pessoas busquem aprender a conviver com a diversidade. Um dos recursos &amp;eacute; o jogo de identidade aonde as pessoas &amp;quot;brincam&amp;quot; de assumir outros pap&amp;eacute;is. O Carnaval, por exemplo, sempre foi um ritual voltado a isso, um momento no qual o indiv&amp;iacute;duo pode se fantasiar e assumir outros pap&amp;eacute;is sociais e sexuais. No mundo digital, aonde culturas diversas se aproximam sem as limita&amp;ccedil;&amp;otilde;es do espa&amp;ccedil;o f&amp;iacute;sico, esses jogos est&amp;atilde;o sendo levados aos seus limites e constituem uma das principais tend&amp;ecirc;ncias culturais contempor&amp;acirc;neas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Uma das fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es da dramaturgia &amp;eacute; ser um laborat&amp;oacute;rio de experi&amp;ecirc;ncia existencial, possibilitando ao espectador vivenciar situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es protegido pela interface da m&amp;iacute;dia. E uma tend&amp;ecirc;ncia que cresce na contemporaneidade &amp;eacute; usar o espa&amp;ccedil;o virtual para criar personagens que representem a si mesmo, outras facetas, que vivem dentro do mundo digital. Esses personagens s&amp;atilde;o chamados de &amp;quot;avatar&amp;quot;, que &amp;eacute; a representa&amp;ccedil;&amp;atilde;o gr&amp;aacute;fica do participante em jogos de &amp;quot;realidade virtual&amp;quot;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Um desses jogos de simula&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; o Second Life, com in&amp;uacute;meros exemplos de constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de alter egos, homens que adotam personagens femininos ou constroem corpos perfeitos, crian&amp;ccedil;as que se passam por adultos, etc. Todos os MMORPG (massively multiplayer online role-playing game, uma esp&amp;eacute;cie de jogo onde muitos jogadores interagem entre si em um mundo virtual) trabalham com a mesma l&amp;oacute;gica de ter avatares que sejam uma esp&amp;eacute;cie de heter&amp;ocirc;nimos do jogador, v&amp;aacute;rias representa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de sua personalidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A capacidade de confundir o p&amp;uacute;blico valendo-se do limite entre realidade e fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; caracter&amp;iacute;stica de alguns dos v&amp;iacute;deos de maior sucesso na internet e de outras experi&amp;ecirc;ncias de sucesso. Um &amp;uacute;nico exemplo: um dos maiores sucessos da internet, o v&amp;iacute;deo O Tapa na Pantera (BRA, 2006), constitui-se de confiss&amp;otilde;es feitas por uma atriz (Maria Alice Vergueiro), que interpreta um texto direto para a c&amp;acirc;mera, num modelo pr&amp;oacute;ximo ao stand-up comedy. O depoimento trata da rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o dela (ou do personagem?) com a maconha. A indefini&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre realidade e fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o gerou imensa curiosidade no p&amp;uacute;blico (aquilo era real ou roteirizado?) e foi o maior motivo do sucesso do filme, que rapidamente entrou no rol dos mais acessados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A publicidade tentou seguir essa tend&amp;ecirc;ncia produzindo produtos que se aproveitavam dessa ambig&amp;uuml;idade. Como exemplo pode-se citar o v&amp;iacute;deo de divulga&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Nike com o Ronaldinho Ga&amp;uacute;cho, feito para a internet. Em um plano seq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia, ele alterna entre fazer embaixadinhas com a bola e chut&amp;aacute;-la na trave repetidas vezes sem deix&amp;aacute;-la cair no ch&amp;atilde;o. Foi debatido em diversos programas de televis&amp;atilde;o sobre se a seq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia era exeq&amp;uuml;&amp;iacute;vel ou n&amp;atilde;o, at&amp;eacute; que posteriormente a empresa divulgou que era uma montagem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	O recurso de buscar a confus&amp;atilde;o entre realidade e fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o &amp;eacute; novo, j&amp;aacute; era buscado nos prim&amp;oacute;rdios do cinema, em que alguns diretores, em especial Georges M&amp;eacute;li&amp;egrave;s (1861-1938), faziam truques com a c&amp;acirc;mera para realizar feitos fant&amp;aacute;sticos. E continua fazendo sucesso, pois no YouTube h&amp;aacute; milhares de v&amp;iacute;deos nos quais o personagem faz m&amp;aacute;gica para a c&amp;acirc;mera utilizando-se de um &amp;quot;falso&amp;quot; plano seq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia. Tamb&amp;eacute;m em outros formatos essa &amp;eacute; uma experi&amp;ecirc;ncia recorrente. Em Jogo de Cena (BRA, 2007), de Eduardo Coutinho, atrizes e &amp;quot;pessoas reais&amp;quot; se alternam em depoimentos. Cabe ao p&amp;uacute;blico definir o que &amp;eacute; real e o que &amp;eacute; fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Essa tend&amp;ecirc;ncia pode ser tamb&amp;eacute;m levada ao humor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	No projeto multiplataforma &amp;quot;Confiss&amp;otilde;es de Acompanhantes&amp;quot; (FICs, 2007 e 2008) tamb&amp;eacute;m tem-se em conta esse limite. O projeto j&amp;aacute; parte da id&amp;eacute;ia de Confiss&amp;otilde;es, t&amp;atilde;o presente na internet, e trabalha com na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de humor e nonsense. O projeto como um todo foi criado para ser uma s&amp;eacute;rie de fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o, mas os produtores optaram por, j&amp;aacute; durante o processo de cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o da s&amp;eacute;rie, gerar produtos com o processo. Assim, foi desenvolvida uma s&amp;eacute;rie de quinze v&amp;iacute;deos document&amp;aacute;rios de 3 minutos cada que foram exibidos no &amp;quot;TV Terra&amp;quot; com grande sucesso, um espet&amp;aacute;culo de stand-up comedy, um livro e um filme que mostrou o making-off de um processo com alunos de uma oficina de cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Os autores trabalham com o limite entre fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o e realidade em todos os produtos, buscando suas interfaces. Ao fazer o stand-up por exemplo, eles romperam a regra do g&amp;ecirc;nero, que prev&amp;ecirc; o ator interpretando a si mesmo. Usaram o formato que d&amp;aacute; autenticidade ao personagem, mas escalaram atrizes que atuam no mesmo tom e conseguem deixar o p&amp;uacute;blico em d&amp;uacute;vida sobre se falam da pr&amp;oacute;pria vida ou interpretam um personagem. A d&amp;uacute;vida extrapola o espa&amp;ccedil;o c&amp;ecirc;nico, pois os personagens constru&amp;iacute;dos em conjunto com as atrizes t&amp;ecirc;m tamb&amp;eacute;m uma constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o virtual, com perfil no Orkut e no MySpace.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Do v&amp;iacute;deo caseiro &amp;agrave; &amp;quot;The Office&amp;quot; - passando por Varela, Moore e Borat&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A aproxima&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a realidade &amp;eacute; outra caracter&amp;iacute;stica do humor contempor&amp;acirc;neo. Fugindo dos sketches gravados em est&amp;uacute;dio muitos humoristas colocam seus personagens nas ruas, aproveitando das facilidades propiciadas pela c&amp;acirc;mera digital e realizam document&amp;aacute;rios humor&amp;iacute;sticos, baseados em rep&amp;oacute;rteres/palha&amp;ccedil;os que provocam e fazem aflorar a realidade. Essa tend&amp;ecirc;ncia teve um precursor brasileiro nos programas de Ernesto Varela, um rep&amp;oacute;rter falsamente &amp;quot;inocente&amp;quot; interpretado por Marcelo Tas e dirigido por Fernando Meirelles (que &amp;quot;interpretava&amp;quot; o c&amp;acirc;mera Valdeci).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Um dos momentos mais marcantes de humor documental em televis&amp;atilde;o foi o programa The Awful Truth (EUA, 1999) de Michael Moore que fazia interven&amp;ccedil;&amp;otilde;es documentais humor&amp;iacute;sticas para combater as corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Entre outros personagens, Moore criou Chuck, um mascote galinha que combate o crime empresarial. Em um dos programas a galinha Chuck invade a Disney para explicar ao Mickey - que segundo ela foi seu colega na faculdade de mascotes - as p&amp;eacute;ssimas condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es dos atores que trabalham para a corpora&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Nos programas de Moore o personagem-reporter- humorista &amp;eacute; usado para interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o e, na tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do cinema verdade, serve para provocar e revelar a realidade. Outro exemplo de humor documental &amp;eacute; o ator Sacha Baron Cohen, que criou os personagens Ali G e Borat. O primeiro &amp;eacute; um rapper mal-educado que constrange as pessoas ao entrevist&amp;aacute;-las. Borat &amp;eacute; um rep&amp;oacute;rter do Cazaquist&amp;atilde;o que viaja pelo Reino Unido e aos EUA entrevistando pessoas, a fim de saber o que falta ao Cazaquist&amp;atilde;o para ser um pa&amp;iacute;s desenvolvido. Borat rendeu um longa-metragem de muito sucesso de mesmo nome.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A tend&amp;ecirc;ncia a imagem documental &amp;eacute; outra caracter&amp;iacute;stica da cultura digital em audiovisual, que foi levada aos programas de humor. O fato &amp;eacute; que cada &amp;eacute;poca hist&amp;oacute;rica tem um procedimento est&amp;eacute;tico que desperta no p&amp;uacute;blico a impress&amp;atilde;o de real. Nos anos 50, o cinema cl&amp;aacute;ssico, com sua decupagem baseada na capta&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos melhores pontos de vista de uma determinada cena, causava forte impress&amp;atilde;o de realidade no p&amp;uacute;blico. At&amp;eacute; hoje, assistir Hitchock, &amp;eacute; uma experi&amp;ecirc;ncia fant&amp;aacute;stica, mas que n&amp;atilde;o d&amp;aacute; ao p&amp;uacute;blico atual a impress&amp;atilde;o de real que dava nos anos 50. Pois a partir da populariza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do VHS caseiro a impress&amp;atilde;o de realidade se transformou. Milhares de pessoas come&amp;ccedil;aram a gravar suas pr&amp;oacute;prias festas, em v&amp;iacute;deos caseiros e a identificar a est&amp;eacute;tica da c&amp;acirc;mera caseira a &amp;quot;realidade&amp;quot;. O cinema passou a ser a fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o, o mundo da fantasia. Desse modo, se o filme quisesse reconstruir o real, precisaria dialogar com esse padr&amp;atilde;o do v&amp;iacute;deo caseiro. Foi o que fez o DOGMA 94. Seguindo regras que lembram as da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de filmes caseiros, o DOGMA 94 conseguiu trazer de volta para o cinema a impress&amp;atilde;o de real. O di&amp;aacute;logo com o filme caseiro &amp;eacute; expl&amp;iacute;cito, ao ponto de um dos principais filmes do movimento se intitular Festa de Fam&amp;iacute;lia (Festen, DIN, 1998).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A s&amp;eacute;rie The Office (EUA, 2005) trouxe a est&amp;eacute;tica documental para o sitcom. A s&amp;eacute;rie foi ao ar primeiramente na Inglaterra em 2001 e durou tr&amp;ecirc;s anos, com apenas 14 epis&amp;oacute;dios. Fez muito sucesso, agradando p&amp;uacute;blico e cr&amp;iacute;tica, e em 2005 foi refilmada nos EUA. O enredo inicial do seriado gira em torno de uma equipe de documentaristas que acompanha uma filial de uma grande empresa, amea&amp;ccedil;ada de fechamento pela matriz. As cenas da s&amp;eacute;rie s&amp;atilde;o as &amp;quot;filmadas&amp;quot; pela equipe do &amp;quot;document&amp;aacute;rio&amp;quot;, que inclusive atua em certos momentos; os personagens tentam evitar a filmagem ou evitam uma conversa por causa da presen&amp;ccedil;a da c&amp;acirc;mera. Mas ao mesmo tempo todos os personagens d&amp;atilde;o depoimentos para a c&amp;acirc;mera e por vezes buscam a cumplicidade do cinegrafista por meio do olhar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Esses personagens est&amp;atilde;o mais para o burlesco do que para o humor destrutivo. S&amp;atilde;o todos fr&amp;aacute;geis e humanos. Ao mesmo tempo em que rimos deles, nos identificamos com suas dores.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Narrativa transmidi&amp;aacute;tica e humor&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A narrativa transmidi&amp;aacute;tica &amp;eacute; uma refer&amp;ecirc;ncia ao surgimento de uma nova est&amp;eacute;tica que responde &amp;agrave; converg&amp;ecirc;ncia das m&amp;iacute;dias, exigindo mais de seus consumidores e das comunidades ativas de conhecimento. Esse tipo de narrativa est&amp;aacute; intimamente ligada &amp;agrave; cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um universo ficcional, no qual seja poss&amp;iacute;vel viver uma experi&amp;ecirc;ncia plena, em que os consumidores assumam diferentes pap&amp;eacute;is e persigam a hist&amp;oacute;ria por diversos meios, compartilhando ou comparando suas observa&amp;ccedil;&amp;otilde;es com as de outros f&amp;atilde;s, o que asseguraria uma experi&amp;ecirc;ncia de entretenimento mais rica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Webs&amp;oacute;dios tamb&amp;eacute;m s&amp;atilde;o alternativas para descrever melhor algumas personagens por meio de flashbacks ou mesmo para divulga&amp;ccedil;&amp;atilde;o da s&amp;eacute;rie. Isso &amp;eacute; importante, pois &amp;eacute; um indicador da tend&amp;ecirc;ncia de utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e tamb&amp;eacute;m de cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de conte&amp;uacute;do para diferentes m&amp;iacute;dias para tratar de um mesmo universo/tema. A s&amp;eacute;rie The Office apostou nos webs&amp;oacute;dios para atingir ainda mais o seu target com a utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de novas m&amp;iacute;dias.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Outra s&amp;eacute;rie de humor que teve sua origem baseada no dinamismo da forma com que o internauta interage com sites em busca de not&amp;iacute;cias e v&amp;iacute;deos foi o programa &amp;quot;The Daily Show With Jon Stewart: Global Edition&amp;quot;, criado em 1996 e ganhador de diversos &amp;quot;Emmy&amp;quot;, &amp;eacute; um &amp;quot;fake journalism&amp;quot; que trata as not&amp;iacute;cias com questionamentos sagazes e ir&amp;ocirc;nicos sobre as not&amp;iacute;cias di&amp;aacute;rias apresentadas ao p&amp;uacute;blico americano. O programa &amp;eacute; dividido em duas partes, na primeira, Jon Stewart, o apresentador do programa, faz uma an&amp;aacute;lise cr&amp;iacute;tica das not&amp;iacute;cias, com correspondentes &amp;quot;falsos&amp;quot; ou quase verdadeiros, na segunda parte, ele apresenta um talk-show, sem se importar em mediar ou esconder suas opini&amp;otilde;es em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a qualquer assunto, segundo o jornalista Caio Blinder, Stewart &amp;quot;&amp;eacute; um superobservador dos absurdos da realidade, um implac&amp;aacute;vel demolidor&amp;quot;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Da s&amp;aacute;tira destrutiva ao humor construtivo - o humorista como um palha&amp;ccedil;o-xam&amp;atilde;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Tradicionalmente o humor se utiliza da s&amp;aacute;tira e da par&amp;oacute;dia para criticar os poderosos. Isso tinha muito a ver com uma cultura verticalizada e com momentos revolucion&amp;aacute;rios, de quebra de fronteiras. O humor foi sat&amp;iacute;rico e revolucion&amp;aacute;rio foi, por exemplo, um dos respons&amp;aacute;veis pelo contexto cultural que propiciou a revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o francesa (conforme pode ser lido na obra do historiador Robert Darnton).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Mas nos dias de hoje surge tamb&amp;eacute;m uma nova tend&amp;ecirc;ncia para o humor . O mundo digital n&amp;atilde;o &amp;eacute; mais t&amp;atilde;o verticalizado. Ao contr&amp;aacute;rio, &amp;eacute; cada vez mais horizontalizado e rizom&amp;aacute;tico. Nesse contexto as pessoas formam comunidades, aonde cada individuo &amp;eacute; importante e a for&amp;ccedil;a da comunidade est&amp;aacute; na fixa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos la&amp;ccedil;os entre seus participantes. Num ambiente desse tipo n&amp;atilde;o tem mais tanto sentido destruir a imagem de outra pessoa. Ao contr&amp;aacute;rio, &amp;eacute; preciso sempre valoriza-la, pois cada uma delas &amp;eacute; importante na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o da for&amp;ccedil;a da comunidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;Eacute; assim que, em paralelo ao humor destrutivo, come&amp;ccedil;a a se fortalecer o humor construtivo. A caricatura e o exotismo, que sempre foram usados como critica, est&amp;atilde;o sendo usados cada vez mais como homenagem. Ao inv&amp;eacute;s de se centrar apenas em celebridades e/ou poderosos, o foco recai tamb&amp;eacute;m para &amp;quot;as pessoas comuns&amp;quot;. Isso adv&amp;eacute;m tamb&amp;eacute;m da viv&amp;ecirc;ncia multicultural e &amp;eacute; notado em in&amp;uacute;meros objetos da est&amp;eacute;tica contempor&amp;acirc;nea, desde filmes do Almod&amp;oacute;var e de Guel Arraes at&amp;eacute; reportagens da atriz e apresentadora Regina Cas&amp;eacute;. Evidentemente ainda continuam os programas que satirizam os poderosos, mas a tend&amp;ecirc;ncia que mais cresce e ainda &amp;eacute; menos ocupada &amp;eacute; o elogio as pessoas comuns.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A s&amp;aacute;tira destrutiva &amp;eacute; o g&amp;ecirc;nero que surge em rea&amp;ccedil;&amp;atilde;o a regimes totalit&amp;aacute;rios. J&amp;aacute; o humor construtivo surge para as pessoas aprenderem a conviver em ambientes democr&amp;aacute;ticos. O humor se torna um ritual de conviv&amp;ecirc;ncia na diversidade, e o humorista recupera a tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do palha&amp;ccedil;o-xam&amp;atilde; (presente, por exemplo, entre os &amp;iacute;ndios Kr&amp;acirc;o) , que zomba de seu curando para que a comunidade possa viver em harmonia. No democr&amp;aacute;tico ambiente da cultura digital os programas de humor mais inovadores s&amp;atilde;o os que tem conseguido conciliar humor com humanismo, transitando da caricatura farsesca para a humaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da grande com&amp;eacute;dia.&lt;/p&gt;</description>
					<link>http://www.ietv.org.br/blog/post/televisao__humor_e_cultura_digital//</link>
					<pubDate>Wed, 23 Mar 2011 19:10:14 -0300</pubDate>
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